Escolha

É difícil eu ouvir rádio. Geralmente as músicas que eu curto não tocam lá. Mas, quando quero dar uma variada, ligo o dito cujo, já com as minhas estações preferidas programadas. Tenho um problema quando resolvo escutar a radio: Às vezes coloco numa estação e está tocando uma música boa. E daí mudo de estação várias vezes, procurando uma música melhor. Acontece que às vezes não tem nada melhor na rádio e me arrependo por não ter deixado na música boa, porque quando volto para ela, ela já acabou. O problema é que o inverso também é verdadeiro: às vezes sossego o facho e deixo na música boa. E quando ela acaba, dou aquela zapeada e quando vejo está acabando de tocar uma música que adoro e que fazia séculos que não ouvia.

Fico sempre com esse dilema: curtir a música boa, dançar e cantá-la alto, ou ficar trocando de estação ad aeternum?

 

The story of my life

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Happily ever after

O que nunca começou não tem como acabar. E isso, misteriosamente, faz sentido para mim.

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Sampa

Em dia de aniversário de 458 anos de São Paulo, aqui vai meu post.

Nasci em São Paulo. Cresci em Pindamonhangaba. Voltei pra sampa pra estudar, em 2004. 18 anos, descobrindo o mundo, como não se encantar com São Paulo. Por algum tempo, acreditei, de verdade, que era a melhor cidade do mundo, apesar dos problemas (que via naquela época) – entenda-se trânsito.
Mas o tempo passa, o encantamento passa, a paixão passa – em todas as relações. Sobra o resto. Respeito, admiração, amor talvez. 
São Paulo é uma grande cidade. E como todas as grandes cidades, vem com grandes problemas. Acompanhei pela rede as manifestações de parabéns a São Paulo de amigos meus, posso dizer que 98% delas foram algo do tipo: “Para a minha maior relação de amor e ódio, parabéns, São Paulo”
Porque acho que no final, é isso que São Paulo causa. Essa relação ambígua, onde tudo é fácil e onde tudo é difícil. É fácil, porque a cidade oferece tudo, a todo tempo, para todos os gostos. É difícil, porque quase ninguém consegue usufruir de tudo que a cidade oferece e todos acabam, invariavelmente, frequentando os mesmos grupos, os mesmos lugares: seja pelo custo, pelo trânsito, pela distância, pelo trabalho. Trabalho laboral mesmo. 
Quando falamos de São Paulo, falamos de trabalho. Falamos dos melhores empregos estarem aqui. E os melhores empregos estarem todos em uma cidade, tem um custo. Tem um custo financeiro e um custo emocional.
São Paulo é uma cidade a beira de nervos. Todos tem pressa, todos se esbarram, ninguém se desculpa em São Paulo. São Paulo é uma cidade onde ninguém tem culpa. A culpa está toda na cidade e no seu caos. Talvez por isso alguns gostem. São isentos de culpa aqui.
Mas como dizia no princípio, fica a admiração, o respeito e talvez o amor: São Paulo merece ser admirada. A maior cidade da América do Sul, está entre as tops das maiores do mundo. São Paulo, sozinha, leva bem mais de 10%  do PIB nacional. Isso deve ser admirado, é mais que o dobro da segunda cidade com o maior PIB, o Rio.
São Paulo aceita todos, de um jeito ou de outro. Aqui a gente se mistura, aqui as tribos podem andar sem serem notadas. Todo mundo se encontra em São Paulo. Isso merece respeito. A cidade respeita as diferenças.
Em meio a tanta megalomania, trabalhos, oportunidades, atividades, aceitação, há quem ame essa cidade. Digo que talvez amor, pois no final, quem teve a chance de viver São Paulo alguma fase da sua vida, em algum momento amou sua loucura. Essa loucura que talvez nos faça esquecer das nossas. Acho que sou como a maioria: São Paulo, uma eterna relação de amor e ódio.
Parabéns, Sampa.
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New Year Resolution

Tanto tempo não venho aqui. Hoje resolvi reler alguns textos. Eles faziam tanto sentido na época deles e hoje eles tem outro, tão diferente. Engraçado como o tempo passa, fecha feridas, leva algumas coisas embora, traz novas…

Primeiro dia útil do ano e, claro, já tive aquela insônia a noite. Acordar de madrugada e pensar em assuntos não-resolvidos e que insistem em vir nessas horas, quando eles não poderão ser resolvidos. Nunca penso neles em horas úteis.

Fato é que acho que deveria ter entrado em 2012 com um plano. Mas não fiz nenhum concreto. Não sei o que quero, por onde começar. Quero uma coisa que ainda está meio etérea. Quero mudar o que está me frustrando. Isso é o que eu sei. E é nisso que vou investir esse ano. É nisso que vou focar o plano ainda não feito.

Às vezes me dá um desespero porque vejo tanta gente aí, com a vida decidida, as coisas caminhando e eu ainda procurando um caminho pra seguir. Será que essa minha insatisfação vai me acompanhar pra sempre? Nunca as coisas ficam 100%, embora esteja sempre tudo bem.

Não que eu queira me conformar com pouco, não é isso. Mas às vezes acho que o que eu quero, não existe, e que preciso então me preocupar com a vida real, sabe? Que a vida e as coisas não vão acontecer na ordem que imaginei. Então, porque não aprender a dançar conforme a música?

Espero de 2012 um ano melhor resolvido que 2011.

Não vou choramingar o ano que passou, até porque não é pra tanto. Foi um bom ano. Acho que a maior lição aprendida com ele, que quero aprimorar este ano, é tentar mais. Insistir para as coisas darem certo. Não desistir na primeira tentativa. Porque olha, tentei. Insisti. Tive paciência para arriscar mais uma vez, com coisas, pessoas. Algumas valeram muito a pena. Outras, nem tanto, portanto, é preciso entender que também, se não rolou, bola pra frente. No final, tem coisas que valem super uma segunda chance e outras, que nem tanto.

Ainda não tinha pensado nas resolução para 2012… é que estou assim, começando o ano confusa (ou serão só os hormônios?).

Então, pensando agora, minhas resoluções de ano novo são:

Emagrecer (sempre);

Parar de me preocupar com problemas que não são meus;

Entender que quase ninguém faz as coisas com a mesma dedicação que eu: e que isso não é problema meu;

Trabalhar com o que eu tenho e não lamentar a falta do que não tenho;

Fazer a pós-graduação;

Ter mais paciência, mas não mais complacência;

Falar menos mal das coisas e das pessoas. Isso só traz mais irritação;

Deixar minhas coisas organizadas, sempre. Talvez ambientes arrumados, arrumem minha cabeça;

Que 2012 seja o ano da mudança e das decisões! É isso que espero.

Em tempo: copio aqui a resolução de ano novo da minha amiga Natalia Crestani, que achei que resume bem meu sentimento também:

“ Que em 2012 eu possa dar risada de algo realmente engraçado e não patético. Que eu tenha mais tempo para mim, para os amigos e para a família (…) Que eu tenha uma vida de bom senso, mais tranqüila e com apenas alguns momentos de estresse e angústia, e não o oposto. Que eu tenha a chance de continuar aprendendo, mas de uma forma diferente. (…) Que venha 2012 com os amigos de infância,  com os novos , com os do futuro e com a família”.

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Ensaio sobre a nostalgia

Certa vez ela brigou feio com o tempo. Briga dessas de gritaria e quebra-quebra. Ela acusava o tempo de passar muito rápido, trazer muitas responsabilidades e não deixar uma brecha para ela fazer, algum período do dia que fosse, algo que ela realmente queria fazer antes de morrer.

Ele, sério, impetuoso e de poucas palavras não negou as acusações, mas tentou dizer à ela que de nada adiantaria a briga. Diante da teimosia dela, não houve outra solução, então acabaram brigados, um para cada lado.

Ela se achou muito esperta quando quebrou todos os relógios da casa e do trabalho. Não olhava para eles na rua e nos lugares públicos. Também queimou os calendários e agendas. Agora ela fazia o tempo. Dormia a hora que queria, jantava de dia, tomava café a noite, ia pra festa na segunda-feira, trabalhava no domingo, ia para a academia só de noite e no cinema de tarde.

O tempo continuava lidando com ela com sua infinita indiferença aos desejos humanos. Mas à ela parecia que quanto mais ela lutava, mais ele lhe roubava as horas, os dias e às vezes até semanas. Quando viu, nem sabia mais há quanto tempo tinha brigado com o tempo. Um dia ela acordou e chorou muito.Chorou toda a raiva de todos os filmes, livros e viagens que não conseguiria ver, ler e fazer até o fim da vida. Mas achou melhor fazer as pazes com o tempo, assim, tentaria negociar umas horinhas livres, alguns dias de prazer.

O tempo era sim impetuoso, mas não era malvado. Ele era assim, denso, por essência. Não guardou mágoa dela e aceitou o pedido de desculpas.

Ela passou a administrar o tempo. Aceitou que ele passa rápido mesmo então não iria desperdiçá-lo. Entendeu que tudo há seu tempo e passou a realizar  as responsabilidades com prazer. Às vezes sentia saudade do tempo que o tempo parecia não passar tão rápido e do tempo que parecia que ela tinha todo o tempo do mundo.

O tempo, muito orgulhoso da mudança da menina, resolveu dar-lhe um presente.

Foi assim que ele criou a nostalgia.

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Cores

Me parece injusto e egoísta que algumas pessoas precisem roubar as cores das outras para pintarem suas próprias vidas. Mas acho que na verdade, isso é só triste.

Os que tem cor por si mesmos, nunca ficam cinzas por muito tempo.

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Meu garoto faz caixões

Estou numa fase super Florence and the Machine. Gosto muito da banda, das músicas. E daí que tem essa música aí. E ela sinceramente, entre as outras do álbum Lungs, fica meio apagadinha até…a batida constante, a voz suave, acho que difere das demais, mais emotivas, talvez.

My boy builds coffins with hammers and nails
Meu garoto faz caixões, com martelos e unhas
He doesn’t build ships, he has no use for sails
Ele não constrói barcos e ele não serve para vendas
He doesn’t make tables, dresses or chairs
Ele não faz mesas, guarda-roupas ou cadeiras
He can’t carve a whistle cause he just doesn’t care
ele não pode entalhar um apito, porque ele simplesmente não liga
My boy builds coffins for the rich and the poor
Meu garoto constrói caixões para os ricos e para os pobres
Kings and queens them all knocked on his door
Reis e rainhas, todos eles bateram à sua porta
Beggars and liars, gypsies and thieves
Pedintes e mentirosos, ciganos e ladrões
They all come to impact he’s so eager to please
Todos eles vieram e ele está tão ansioso para agradar
My boy builds coffins he makes them all day
Meu garoto contrói caixões, ele os faz o dia todo
But it’s not just for work and it isn’t for play
Mas não é só por trabalho e também não é para diversão
He’s made one for himself
Ele fez um para ele mesmo
One for me too
Um para mim
One of these days he’ll make one for you
E um dia desses ele fará um para você também
My boy builds coffins for better or worse
Meu garoto constrói caixões, para o melhor ou pior
Some say its a blessing, some say its a curse
Alguns dizem que é uma benção, outros que é uma maldição
He fits them together in sunshine or rain
Ele os constrói faça chuva ou faça sol
Each one is unique, no two are the same
Cada um é único, não há dois iguais
My boy builds coffins and i think it’s a shame
Meu garoto faz caixões e eu acho uma pena
That when eachones been made, he can’t see it again
Que quando eles ficam prontos, ele jamais os volta a ver
He crabs everyone with love and with care
Ele esculpe cada todos eles com amor e carinho
Then its thrown in the ground and it just doesn’t fit
E depois é jogado no chão e simplesmente não combina
 My boy builds coffins he makes them all day
Meu garoto constroi caixões, ele os faz o dia todo
But it’s not just for work and it isn’t for play
Mas não é pelo trabalho e também não por diversão
He’s made one for himself
Ele fez um para ele mesmo
One for me too
Um para mim também
One of these days he’ll make one
E um dia desses ele fará um para você
Mas eu gosto dela. Porque acho a letra dela simplesmente demais. Não sei porque, mas para mim essa música tem todo um contexto, não diria religioso… que acho que trata da vida, apesar de falar de alguém que faz caixões. Acho que mostra como cada um tem uma vida única, só sua. Assim como os caixões que ele constrói. Acho que a música diz que não importa quem você seja, rico, pobre, ladão, cigano, rei, rainha, nem quão requintada seja sua vida. Que não importa se você é uma pessoa cheia de complexos ou que leva a vida numa boa, ou muito inteligente, ou diferente dos outros, porque na verdade, todos vamos para acabar enterrados.
Mas ao invés de me deixar pra baixo, quando ouço a música sempre me vem uma mensagem na cabeça. Viva agora e como achar que deve.
Alguém mais vê essa música assim?

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