O rio

Água leve, límpida, leva
Lava e limpa corpo e alma
Do corpo quente refresca a mente
Acalma o anseio, tira o peso
Cura dores, ameniza os temores

O corpo inerte, frio, sem alma
Lava e leva mar a fora
Dentro moram amor e saudades

O que sobra não representa nada
O mais denso, intenso
Que ironia!
É mais leve e vai sem medo
Para um horizonte que não termina
Somente onde alcança a vista

Quem fica busca o aconchego
Na água doce e fria
Que brilha ao sol e nos convida
A lavar e limpar e refrescar
A alma
As tristezas
E memórias feitas para ficar

 

Retroativo a 02.10.2016

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Porque a vida nos proporciona momentos para pensarmos na vida.

E quando vemos a fragilidade da nossa existência me parece uma árdua tarefa equilibrar os pratos: temos mesmo é que andar na linha tênue que nos proporciona uma vida longa, com a possibilidade de a terminarmos com a mesma dignidade que com que a começamos, e a intensidade que vibra em nossas veias e explode no coração, que nos faz desejar aproveitar cada mínima inspiração para sentir todas as melhores coisas  desse mundo, como se fosse a última vez.
Se peço uma coisa a Deus é que todos que eu amo tenham podido ter uma vida repleta de felicidade, que tenham podido aproveitá-la e que ao deixá-la, o façam com a sensação de missão cumprida, porque acho que ao fim dessa viagem, talvez esse sentimento, no final das contas, seja a única coisa que realmente vai aliviar a nossa alma.

 

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Escolha

É difícil eu ouvir rádio. Geralmente as músicas que eu curto não tocam lá. Mas, quando quero dar uma variada, ligo o dito cujo, já com as minhas estações preferidas programadas. Tenho um problema quando resolvo escutar a radio: Às vezes coloco numa estação e está tocando uma música boa. E daí mudo de estação várias vezes, procurando uma música melhor. Acontece que às vezes não tem nada melhor na rádio e me arrependo por não ter deixado na música boa, porque quando volto para ela, ela já acabou. O problema é que o inverso também é verdadeiro: às vezes sossego o facho e deixo na música boa. E quando ela acaba, dou aquela zapeada e quando vejo está acabando de tocar uma música que adoro e que fazia séculos que não ouvia.

Fico sempre com esse dilema: curtir a música boa, dançar e cantá-la alto, ou ficar trocando de estação ad aeternum?

 

The story of my life

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Happily ever after

O que nunca começou não tem como acabar. E isso, misteriosamente, faz sentido para mim.

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Sampa

Em dia de aniversário de 458 anos de São Paulo, aqui vai meu post.

Nasci em São Paulo. Cresci em Pindamonhangaba. Voltei pra sampa pra estudar, em 2004. 18 anos, descobrindo o mundo, como não se encantar com São Paulo. Por algum tempo, acreditei, de verdade, que era a melhor cidade do mundo, apesar dos problemas (que via naquela época) – entenda-se trânsito.
Mas o tempo passa, o encantamento passa, a paixão passa – em todas as relações. Sobra o resto. Respeito, admiração, amor talvez. 
São Paulo é uma grande cidade. E como todas as grandes cidades, vem com grandes problemas. Acompanhei pela rede as manifestações de parabéns a São Paulo de amigos meus, posso dizer que 98% delas foram algo do tipo: “Para a minha maior relação de amor e ódio, parabéns, São Paulo”
Porque acho que no final, é isso que São Paulo causa. Essa relação ambígua, onde tudo é fácil e onde tudo é difícil. É fácil, porque a cidade oferece tudo, a todo tempo, para todos os gostos. É difícil, porque quase ninguém consegue usufruir de tudo que a cidade oferece e todos acabam, invariavelmente, frequentando os mesmos grupos, os mesmos lugares: seja pelo custo, pelo trânsito, pela distância, pelo trabalho. Trabalho laboral mesmo. 
Quando falamos de São Paulo, falamos de trabalho. Falamos dos melhores empregos estarem aqui. E os melhores empregos estarem todos em uma cidade, tem um custo. Tem um custo financeiro e um custo emocional.
São Paulo é uma cidade a beira de nervos. Todos tem pressa, todos se esbarram, ninguém se desculpa em São Paulo. São Paulo é uma cidade onde ninguém tem culpa. A culpa está toda na cidade e no seu caos. Talvez por isso alguns gostem. São isentos de culpa aqui.
Mas como dizia no princípio, fica a admiração, o respeito e talvez o amor: São Paulo merece ser admirada. A maior cidade da América do Sul, está entre as tops das maiores do mundo. São Paulo, sozinha, leva bem mais de 10%  do PIB nacional. Isso deve ser admirado, é mais que o dobro da segunda cidade com o maior PIB, o Rio.
São Paulo aceita todos, de um jeito ou de outro. Aqui a gente se mistura, aqui as tribos podem andar sem serem notadas. Todo mundo se encontra em São Paulo. Isso merece respeito. A cidade respeita as diferenças.
Em meio a tanta megalomania, trabalhos, oportunidades, atividades, aceitação, há quem ame essa cidade. Digo que talvez amor, pois no final, quem teve a chance de viver São Paulo alguma fase da sua vida, em algum momento amou sua loucura. Essa loucura que talvez nos faça esquecer das nossas. Acho que sou como a maioria: São Paulo, uma eterna relação de amor e ódio.
Parabéns, Sampa.
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New Year Resolution

Tanto tempo não venho aqui. Hoje resolvi reler alguns textos. Eles faziam tanto sentido na época deles e hoje eles tem outro, tão diferente. Engraçado como o tempo passa, fecha feridas, leva algumas coisas embora, traz novas…

Primeiro dia útil do ano e, claro, já tive aquela insônia a noite. Acordar de madrugada e pensar em assuntos não-resolvidos e que insistem em vir nessas horas, quando eles não poderão ser resolvidos. Nunca penso neles em horas úteis.

Fato é que acho que deveria ter entrado em 2012 com um plano. Mas não fiz nenhum concreto. Não sei o que quero, por onde começar. Quero uma coisa que ainda está meio etérea. Quero mudar o que está me frustrando. Isso é o que eu sei. E é nisso que vou investir esse ano. É nisso que vou focar o plano ainda não feito.

Às vezes me dá um desespero porque vejo tanta gente aí, com a vida decidida, as coisas caminhando e eu ainda procurando um caminho pra seguir. Será que essa minha insatisfação vai me acompanhar pra sempre? Nunca as coisas ficam 100%, embora esteja sempre tudo bem.

Não que eu queira me conformar com pouco, não é isso. Mas às vezes acho que o que eu quero, não existe, e que preciso então me preocupar com a vida real, sabe? Que a vida e as coisas não vão acontecer na ordem que imaginei. Então, porque não aprender a dançar conforme a música?

Espero de 2012 um ano melhor resolvido que 2011.

Não vou choramingar o ano que passou, até porque não é pra tanto. Foi um bom ano. Acho que a maior lição aprendida com ele, que quero aprimorar este ano, é tentar mais. Insistir para as coisas darem certo. Não desistir na primeira tentativa. Porque olha, tentei. Insisti. Tive paciência para arriscar mais uma vez, com coisas, pessoas. Algumas valeram muito a pena. Outras, nem tanto, portanto, é preciso entender que também, se não rolou, bola pra frente. No final, tem coisas que valem super uma segunda chance e outras, que nem tanto.

Ainda não tinha pensado nas resolução para 2012… é que estou assim, começando o ano confusa (ou serão só os hormônios?).

Então, pensando agora, minhas resoluções de ano novo são:

Emagrecer (sempre);

Parar de me preocupar com problemas que não são meus;

Entender que quase ninguém faz as coisas com a mesma dedicação que eu: e que isso não é problema meu;

Trabalhar com o que eu tenho e não lamentar a falta do que não tenho;

Fazer a pós-graduação;

Ter mais paciência, mas não mais complacência;

Falar menos mal das coisas e das pessoas. Isso só traz mais irritação;

Deixar minhas coisas organizadas, sempre. Talvez ambientes arrumados, arrumem minha cabeça;

Que 2012 seja o ano da mudança e das decisões! É isso que espero.

Em tempo: copio aqui a resolução de ano novo da minha amiga Natalia Crestani, que achei que resume bem meu sentimento também:

“ Que em 2012 eu possa dar risada de algo realmente engraçado e não patético. Que eu tenha mais tempo para mim, para os amigos e para a família (…) Que eu tenha uma vida de bom senso, mais tranqüila e com apenas alguns momentos de estresse e angústia, e não o oposto. Que eu tenha a chance de continuar aprendendo, mas de uma forma diferente. (…) Que venha 2012 com os amigos de infância,  com os novos , com os do futuro e com a família”.

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Ensaio sobre a nostalgia

Certa vez ela brigou feio com o tempo. Briga dessas de gritaria e quebra-quebra. Ela acusava o tempo de passar muito rápido, trazer muitas responsabilidades e não deixar uma brecha para ela fazer, algum período do dia que fosse, algo que ela realmente queria fazer antes de morrer.

Ele, sério, impetuoso e de poucas palavras não negou as acusações, mas tentou dizer à ela que de nada adiantaria a briga. Diante da teimosia dela, não houve outra solução, então acabaram brigados, um para cada lado.

Ela se achou muito esperta quando quebrou todos os relógios da casa e do trabalho. Não olhava para eles na rua e nos lugares públicos. Também queimou os calendários e agendas. Agora ela fazia o tempo. Dormia a hora que queria, jantava de dia, tomava café a noite, ia pra festa na segunda-feira, trabalhava no domingo, ia para a academia só de noite e no cinema de tarde.

O tempo continuava lidando com ela com sua infinita indiferença aos desejos humanos. Mas à ela parecia que quanto mais ela lutava, mais ele lhe roubava as horas, os dias e às vezes até semanas. Quando viu, nem sabia mais há quanto tempo tinha brigado com o tempo. Um dia ela acordou e chorou muito.Chorou toda a raiva de todos os filmes, livros e viagens que não conseguiria ver, ler e fazer até o fim da vida. Mas achou melhor fazer as pazes com o tempo, assim, tentaria negociar umas horinhas livres, alguns dias de prazer.

O tempo era sim impetuoso, mas não era malvado. Ele era assim, denso, por essência. Não guardou mágoa dela e aceitou o pedido de desculpas.

Ela passou a administrar o tempo. Aceitou que ele passa rápido mesmo então não iria desperdiçá-lo. Entendeu que tudo há seu tempo e passou a realizar  as responsabilidades com prazer. Às vezes sentia saudade do tempo que o tempo parecia não passar tão rápido e do tempo que parecia que ela tinha todo o tempo do mundo.

O tempo, muito orgulhoso da mudança da menina, resolveu dar-lhe um presente.

Foi assim que ele criou a nostalgia.

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